
Tragédia no Himalaia deixa ao menos 180 mortos e mais de 1.300 desaparecidos
As equipes de resgate seguem em uma corrida contra o tempo após a maior tragédia recente registrada na região do Himalaia. O número de mortos provocado pela avalanche que atingiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete chegou a pelo menos 180, enquanto mais de 1.300 pessoas continuam desaparecidas, segundo autoridades locais e organismos internacionais.
O desastre começou após o colapso de uma geleira a cerca de 5.200 metros de altitude, que desencadeou uma gigantesca corrente de água, gelo, lama e detritos. A enxurrada percorreu dezenas de quilômetros pelos rios Bhote Koshi e Trishuli, destruindo vilarejos inteiros, pontes, rodovias e usinas hidrelétricas.
No lado nepalês, o distrito de Rasuwa foi o mais castigado. Entre os desaparecidos estão 517 turistas estrangeiros, além de moradores, trabalhadores e agentes da segurança de fronteira. No Tibete, autoridades chinesas confirmaram três mortes e mais de 500 desaparecidos.
Resgate enfrenta dificuldades
Milhares de militares, policiais e voluntários participam das buscas, com apoio de helicópteros, drones e equipes especializadas. Entretanto, estradas destruídas, deslizamentos de terra e o mau tempo dificultam o acesso às áreas isoladas.
As autoridades também alertam para o risco de uma nova inundação, causada pelo represamento de rios por enormes blocos de rocha e gelo deixados pela avalanche.
Investigação aponta colapso de geleira
Inicialmente, havia suspeitas de que um terremoto pudesse ter provocado a tragédia. No entanto, análises de imagens de satélite e registros sísmicos indicam que o principal gatilho foi o rompimento de uma grande massa de gelo, que gerou uma avalanche e um fluxo de detritos de proporções excepcionais.
Especialistas afirmam que o aquecimento acelerado das geleiras do Himalaia pode aumentar a frequência de eventos desse tipo. Estudos apontam que as geleiras nepalesas perderam quase um terço de seu volume de gelo nas últimas décadas, tornando a região mais vulnerável a colapsos e enchentes repentinas.
Ajuda internacional
Diversos países e organizações internacionais anunciaram apoio às operações de resgate. Índia, Estados Unidos, União Europeia, Organização Mundial da Saúde e Cruz Vermelha enviaram recursos, equipamentos e equipes de assistência humanitária.
O governo brasileiro informou que, até o momento, não há registro de brasileiros entre as vítimas, mas mantém suas representações diplomáticas em alerta para prestar assistência, caso seja necessário.


